quinta-feira, julho 15, 2010

Lei proíbe pais de aplicar castigos físicos aos filhos


Fui criado numa época em que os pais ainda podiam disciplinar seus filhos inclusive com castigos físicos. Lembro-me muito bem das três únicas vezes nas quais meu pai transferiu para mim, por meio de castigo físico, o que lhe havia sido ensinado. Levei a primeira meia dúzia de bolos de palmatória por furto qualificado; furtei umas poucas mangas do cesto de um vendedor ambulante e fui flagrado por meu pai que testemunhou o crime da janela do seu gabinete. Primeira lição; é crime se apropriar indevidamente dos bens do outro. Após o castigo me fez procurar o vendedor de frutas e pagar-lhe pelas mangas que lhe tinha furtado.
A segunda surra foi de cinturão pelo crime de intriga com agravante de calúnia e difamação; fui dizer para uma vizinha nossa que outra vizinha tinha roubado algumas de suas galinhas. O castigo também foi aplicado com agravante, apanhei na presença das duas senhoras. Segunda lição; se o que tiveres a dizer sobre outras pessoas, não é algo de bom, só o faça para o delegado quando em inquérito, para o juiz quando em testemunho ou para o padre quando em confissão.
E a terceira e ultima vez foi por arrancar ainda verdes os frutos de um cajueiro, tão embrionários que nem para fritada de maturí serviriam. Terceira lição; a vida de tudo que existe na natureza foi dada para servir a um propósito e por isso tem um grande valor, só devendo então ser tirada quando for para servir ao seu propósito. Meu pai costumava cuidar do seu cajueiro com tanto gosto que protegia os cajus com saquinhos de pano contra o ataque de pássaros e insetos deixando sempre alguns desprotegidos para servir-lhes de alimento. Acredito que já naquela época ele me punia por crime ecológico.
No ato da aplicação do castigo, me era explicado qual a natureza do delito, a necessidade da punição e o mais importante, não era sequer cogitada a hipótese da reincidência. Com essa criação não haveria a menor possibilidade de eu vir a me tornar um esquerdista. Portanto acredito que se Papai FHC tivesse deitado-lhe a madeira no primeiro mensalão não estaria hoje o Filho da Brasa, Presidente do Brasil sendo punido seguidamente com multas pecuniárias.

4 comentários:

Márcio disse...

Muito oportuno, o texto, bem ilustrado por suas experiências, se bem que eu poderia jurar que você tinha apanhado mais. Mas o que quero entender mesmo é o signficado do trecho abaixo:

"Com essa criação não haveria a menor possibilidade de eu vir a me tornar um esquerdista."

Algumas opções, frutos de pura ilação


- Esquerdista furta
- Esquerdista promove intriga
- Esquerdista desrespeita a vida
- Esquerdista furta, promove intriga, desrespeita a vida e ainda reincide!

Diga lá se me excedo, pois sei que o estilo Amaral Neto/Olavo de Carvalho não combina com você. Grande abraço!

Adalberto Braga disse...

Revendo as suas deduções descubro que fiz uma associação fora de propósito. Não é a quantidade de porrada que faz o bife macio e sim a peça de carne de onde é tirado. E antes que me entenda mal, gosto de rabada, costela e chupa molho, agora nunca me dei bem com medalhão de rabada, almondegas de chupa molho e bife de costela.

Márcio disse...

Rapaz, você está parecendo o oráculo de Delfos, com essa mania de nunca falar diretamente, preferindo uma profusão de metáforas e aforismos! Mas vamos entrar no clima: procurando não te entender mal, pergunto diretamente "Não é a quantidade de porrada que faz o bife macio e sim a peça de carne de onde é tirado" equivale a "Quem nasceu para vintém não chega a mil réis"? Seria uma referência aos chupa-molho e cruz machado que se arvoraram a querer ser algo mais na vida além de matéria-prima de ensopado?

Adalberto Braga disse...

É mais ou menos assim: Um esquerdista que fora do poder prega um sistema econômico estatizado, consegue chegar ao poder renegando tática estes ideais e no poder estatiza os prejuízos e privatiza os lucros.