POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG DO AUTOR EM 26/08/2004.
POSTADO NOVAMENTE EM OUTRO BLOG EM 02/06/2010.
E FINALMENTE POSTADO NESTE BLOG EM 06/08/2010.
02
de junho de 2010
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Por
Ives Gandra da Silva Martins (*)
A proposta da criação do Conselho Federal de Jornalismo levanta, pela primeira vez, em âmbito nacional, a discussão sobre a existência, no governo Lula, de um projeto para reduzir o Estado Democrático de Direito, no Brasil, a sua mínima expressão. Tenho para mim que existe um risco concreto de estar sendo envidada uma tentativa de impor um controle sobre a sociedade, se possível com a implementação de um ``direito autoritário``, desrespeitando até mesmo cláusulas pétreas da Constituição. De início, quero deixar claro não considerar que o governo federal esteja agindo de má-fé, ao pretenderem seus integrantes impor uma república de cunho socialista, visto que nunca esconderam suas preferências, quando na oposição, pelos caminhos de Fidel Castro, de Chávez e da ditadura socialista chinesa. Prova inequívoca é o tratamento absolutamente preferencial que dão ao ditador cubano. O que estão pretendendo impor é apenas o que sempre pregaram - embora não tenham sido eleitos para implementar programa com esse perfil. Tenho-os, entretanto, por gente de bem, que acredita num projeto equivocado de governo e de Estado - ou seja, num modelo a ser desenvolvido sob seu rigoroso controle, se possível sem oposição, que deve ser conquistada ou eliminada. Como primeiro passo, sinalizaram que adotaram a economia de mercado, com o objetivo de não assustar investidores nacionais e internacionais, e desarmaram resistências, escolhendo uma competente equipe econômica, que desempenha papel distante dos moldes petistas, mas relevante para manter a economia em marcha e assegurar investimentos externos. É a melhor parte do governo. A partir daí, todos os seus atos foram e são de controle crescente da sociedade. Passo a enumerar os sinais que justificam os meus receios: 1) MST - Trata-se de um movimento que pisoteia o direito, desobedecendo ordens judiciais, invadindo propriedades produtivas - muitas vezes, destruindo-as - e prédios públicos. Embora seu principal líder dê-se o direito de chamar o ministro Pallocci de ``panaca``, recebe passagens grátis do governo para pregar a desordem e a subversão. O ministro da Reforma Agrária, que o incentiva, diz, todavia, que o fantástico número de invasões - o maior que já se verificou, na história do país - é normal. Esse senhor, que saiu do MST, apóia abertamente as constantes violações da lei e da Constituição. A idéia básica é transferir toda a terra produtiva para as massas do MST. 2) Judiciário - A reforma objetiva calar um poder incômodo, que, muitas vezes, no exercício da sua função, impõe limites ao Executivo. Por isto o governo defende o controle externo desse poder, quando não admite a imposição de controle semelhante para outras carreiras do Estado, como, por exemplo, a Receita Federal e a Polícia Federal. 3) Jornalismo - O Conselho Federal do Jornalismo não objetiva outra coisa que calar os jornalistas, visto que hoje já há mecanismos legais (ações penais e por danos morais) para responsabilizar os que comentem abusos no exercício da profissão. 4) Controle da produção artística - Como na Rússia e na Alemanha nazista, pretende o governo controlar a produção artística, cinematográfica e audiovisual. 5) Agências reguladoras - Pretende-se suprimir a autonomia que a legislação lhes outorgou, para atuarem com base em critérios técnicos, e submetê-las mais ao controle do chefe do Executivo e menos dos ministérios, como se pode constatar dos anteprojetos que a imprensa já trouxe à baila. 6) Energia elétrica - O projeto é nitidamente re-estatizante. 7) Reforma Trabalhista - Pretende-se retirar o poder normativo da Justiça do Trabalho, reduzindo a força de um poder neutro. 8) Sistema ``S`` - Estuda-se, nos bastidores, retirar dos segmentos empresariais as contribuições para o Sistema ``S``, que permitem que Senai, Sesc etc. funcionem admiravelmente na preparação de mão-de-obra qualificada e recuperação de jovens sem estudo, com o que se retirará parte da força da livre iniciativa, representada pelas CNA, CNC, CNI e outras, de reagir a regimes autoritários. A classe empresarial ficará enfraquecida, se isto ocorrer. 9) Universidade - O fracasso da universidade federal está levando ao projeto denominado ``Universidade para todos``. Por ele, revoga-se, mediante lei ordinária, a imunidade tributária outorgada pela Constituição, retirando-se das escolas privadas - que fazem o que o governo deveria fazer, com os nossos tributos, e não faz - 20% de suas vagas. Como essas escolas já têm quase 30% de inadimplência, o projeto é forma de inviabilizá-las ou transferi-las para o governo. 10) Sigilo bancário - Embora haja cláusula imodificável, na Constituição, assegurando que o sigilo bancário só pode ser quebrado mediante autorização judicial, há projeto para permitir à Polícia Federal a sua quebra. Se ato desse teor for editado, terá, o governo, até as próximas eleições, acesso aos dados financeiros da vida de todos os cidadãos brasileiros, o que lhe permitirá um poder de fogo e de pressão jamais visto, nem mesmo durante o período de exceção militar. Poderia enumerar outros pontos. Não ponho em dúvida, volto a dizer, a honestidade dos integrantes do governo, até porque conheço quase todos, sou amigo de alguns, e estou convencido de que acreditam que essa é a melhor solução para o Brasil. Como eu não acredito que seja - pois entendo que nada substitui a democracia e que qualquer autoritarismo é um largo passo para a ditadura - e como não foi esse o programa de governo que os levou ao poder, escrevo este artigo na esperança de levar pelo menos os meus poucos leitores a meditarem em se é este o modelo político que desejam para o nosso país. (*) - Ives Gandra da Silva Martins - Jurista, renomado professor de Direito Fonte: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=11116&cat=Ensaios&vinda=S |

5 comentários:
Tem um detalhe importante aí: esse texto é de 26 de agosto de 2004, não de 02 de junho de 2010. Basta conferir no site do próprio Ives Gandra. O endereço é:
http://www.gandramartins.com.br/art_detalhes.asp?id=371
Feita a retificação, respeito a opinião do jurista, mas digo que, 6 anos depois, não se realizaram suas previsões sombrias.
"Tenho para mim que existe - em 2004 - um risco concreto de estar sendo enviada - parece telemarcketing - uma tentativa de impor um controle sobre a sociedade..." mas não é que apareceu um plano nacional de direitos humanos e tal. Não virou lei tal qual essa da palmada porque um bando de reacionários "REAGIRAM" contra.
Realmente lamentável a linguagem de telemarketing! Fez Ives Gandra cair em meu conceito. Mas a questão não é essa, e nem a da lei da palmada, qualquer que seja a opinião sobre ela. A questão é que o texto é de 2004, não de 2010. A questão é faz muito mais sentido que você, blogueiro sensato, publique a data correta, independente de só ter sabido do texto agora em 2010. Afinal, os 6 anos de intervalo interferem na interpretação.
Esse artigo do Ives Gandra é mesmo de 2004. Numa parte do seu artigo suprimida nesta minha postagem, ele menciona o fato de já ter escrito sobre o assunto em várias outras oportunidades ainda em 2003. Então para efeito de certificar a cronologia dos fatos, eu faço a seguinte retificação:
- De inicio coloco o titulo do artigo em questão.
“O RETROCESSO DEMOCRÁTICO”.
- Prossigo esclarecendo que esse artigo foi veiculado em 26/08/2004.
- Continuo esclarecendo que o autor do artigo já havia se atido a ele em outras oportunidades ainda em 2003.
- Concluo dizendo que enquanto eu poder dizer-me um Conservador Direitista eu seguirei dizendo; mesmo tendo que pagar o ônus de ser associado a figuras como Amaral Neto, Olavo de Carvalho e Collor entre tantos outros Sarneys; afinal nem todos somos da TFP nem lutamos para implantar uma tirania monárquica.
Prossegue a pergunta que não quer falar: porque você não altera a data do texto de Ives Gandra, agora que sabe qual é a correta?
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