domingo, outubro 24, 2010

Avanço na Educação



Eu tinha absoluta certeza que o desenvolvimento científico do Brasil ainda iria assombrar o mundo. A Matemática, que desde que foi criada apenas como uma fantástica ferramenta de trabalho das Ciências em geral, adquiriu status de Ciência. A Ciência Matemática brasileira conseguiu evoluir ao ponto de criar o todo além do todo. Um além-todo representado percentualmente por 112%. Dilma tem 56% das intenções de voto dos brasileiros eleitores, Serra tem 44%, a diferença entre Dilma e Serra, aplicando-se a turbo-matemática brasileira é então de 12%. De quantos pontos percentuais Serra necessita para igualar a marca de Dilma? 12. Suponhamos que Serra consiga os 12 pontos percentuais que o separam de Dilma e nem um votinho a mais; estariam assim os dois empatados com igual percentual, 56%. Aplique-se a Matemágica brasileira, que ainda manteve o corolário: - A soma de duas metades resulta em um inteiro. - e neste exemplo, esse inteiro é representado percentualmente por 112%.
Eu gosto muito de matemática, me divirto com números, cálculos e equações, essas coisas de maluco. Imagine a sorte de Dilma se ela tivesse 56,5% dos votos e o Serra 43,5%; a diferença seria então de 13%. Número bacana, não? E teríamos então um super-todo de 113%.
E sorte maior seria a Dilma ter 72,5% dos votos e restar ao Serra 27,5%, diferença de 45%, esse número horroroso do FHC; ai teríamos o poderoso Todo de 145%.

12 comentários:

Márcio disse...

Que história é essa de turbo-matemática brasileira, blogueiro? Neste país há gente boa em matemática sim - não é só na Índia. Vamos parar com a autodepreciação!

Estranhei a conta que você fez: intenções de voto de 56% e 44% (ou quaisquer outros percentuais que somemm 100%) só são possívéis quando a pesquisa só dá a opção de escolher um dos candidatos, sem permitir voto branco ou nulo. Ou então se a pesquisa expurga votos não válidos. Mas não é isso que ocorre com os 4 principais institutos que estão fazendo pesquisas. Pode conferir no endereço

http://eleicoes.uol.com.br/2010/pesquisas-eleitorais/brasil-presidente-segundo-turno-ibope.jhtm

Me perdoe, mas é sofísta sua argumentação de que, estando Serra com 44% e Dilma com 56%, ele, se conseguir 12 pontos, se igualará a ela com 56%. Isso não pode ocorrer nunca, pois o somatório (considerando apenas votos válidos) tem de ser de 100% sempre! Assim, se Serra conseguir 56% dos votos válidos, Dilma terá de ter 44%, nunca 56%. Se Serra conquistar 6 pontos (que virão necessariamente de Dilma, considerando apenas os votos válidos), ambos ficarão com 50%.

Quero saber em que jornal ou fonte jornalística confiável você viu essa soma de 112%. E-mail aloprado não vale, por favor! Um abraço.

Adalberto Braga disse...

Você quer que eu lhe mostre quantas estatísticas dizendo que a diferença de pontos percentuais entre Dilma e Serra é de 12%?

Adalberto Braga disse...

É obvio que não existe publicação de uma soma de 112%. Mas existem várias de uma diferença ou subtração de 12% quando não deveriam existir pelo mesmo motivo MATEMÁTICO. Será que os institutos de pesquisa já descobriram que 99,99999% dos brasileiros acreditam que a diferença percentual entre 56% e 44%, neste caso específico é realmente 12%? Eu quero fazer parte dos 0,00001% que acreditam ser de 6%.
Isso está se espalhando por toda parte. A FGV publicou propaganda com a seguinte pérola MATEMÁGICA: "Um casal que já tem dois filhos sendo um menino e uma menina está preste a ganhar um terceiro. A probabilidade deste terceiro rebento ser menino ou menina é de 50%"... O operador lógico OU aplicado a este evento, não resultaria em 100% de probabilidade?
Vai nascer o filho de alguém, e se eu digo que vai ser menino ou menina, eu acerto em 100%. Pelo menos no mundo real, no mundo atual da FGV. Em outro mundo qualquer, os outros 50% podem representar alternativas como um robot holográfico, ou um catdog; nunca se sabe com quem estes futuros pais andaram tranzando.

Adalberto Braga disse...

Estagnação no Datafolha pode desanimar militância do PSDB

Do blog de Fernando Rodrigues

A pesquisa Datafolha realizada hoje (26.out.2010) indica uma estabilidade total em relação ao levantamento da semana passada. Hoje, Dilma Rousseff (PT) tem 56% dos votos válidos. José Serra (PSDB) tem 44%.

São exatamente os mesmos percentuais do dia 21.out.2010.

Ou seja, a diferença entre a petista e o tucano continua sendo de 12 pontos.

Nessa circunstância, a virada tucana fica um pouco mais longe no horizonte das possibilidades. O risco maior a esta altura para Serra é a desmobilização daqueles que são seus apoiadores.

Luiz Neves de Castro disse...

Serra está descendo cada vez mais a serra. 17 pontos percentuais (a favor de Dilma) da última pesquisa atestam mais uma derrota do famigerado PSDB (verdadeiros vendilhões do templo). Um abraço e a amizade com fortes laços são-franciscanos continua...

Adalberto Braga disse...

Eu já estou a 14% de me decidir em votar na Dilma. Apesar de saber que os primeiros a serem expurgados são os que por último se juntam ao poder, eu prefiro comer no mesmo cocho com os parentes e irmãos do que ver vitoriosa a luta de classes, a segregação entre ricos e pobres, peão e nobre. Os que beberam daquelas águas barrentas juntos não têm como se separarem na irmandade.

Márcio disse...

Como o que mais estranhei em sua mensagem original foi a referência um tanto sarcástica e específica à Ciência Matemática Brasileira, proponho um desafio:

Quero que você indique um caso, em qualquer país do mundo, em que, havendo apenas dois candidatos concorrendo a determinada vaga (um com X % das intenções de voto nas pesquisas e o outro com Y % das intenções na mesma pesquisa, com X>Y e X+Y=100), a imprensa tenha divulgado que a diferença entre os dois na pesquisa é (X-Y)/2 e não X-Y.

Exemplo: Candidato do partido republicano ao senado do estado de Nevada tem 53% das intenções de voto. Candidato do partido democrata tem 47% das intenções de voto. A imprensa dos EUA divulga que a diferença percentual entre os dois candidatos é de 6% ou 3%?

Adalberto Braga disse...

Essa bobagem MATEMÁGICA pode ser publicada, divulgada trombeteada em qualquer país dito desenvolvido do mundo, continua sendo uma ignorância. Essa não é uma operação aritmética simples aplicada no conjunto dos números Naturais. É uma operação algébrica com um operador vetorial, aplicada num subconjunto bem particular, no caso [0;100].
Vou tentar extrair o sarcasmo para ver se me faço entender. Vamos pelo método Socrático. Qual é a diferença máxima entre dois candidatos? 50%. Quando é que ocorre esta diferença máxima? Quando um tem 100% e o outro tem 0%. Agora qual é a diferença mínima? 0%. Quando é que ocorre essa diferença? Quando um tem 50% e o outro 50%. Fica claro assim que a igualdade só ocorre em: X = Y = (X + Y)/2? Caso os candidatos tenham percentuais diferentes, com X > Y; quando é que eles se igualariam? Bastaria que X - Y = 0? Tomemos 100 eleitores dos quais 56 dizem que votarão na Dilma; logicamente só 44 votarão no Serra, aí na madrugada de domingo da eleição ocorre um surto em 6 dos eleitores de Dilma e estes resolvem votar no Serra, automaticamente se tem 6 eleitores transformados em 12? A diferença não pode ser tomada entre os percentuais dos dois candidatos, e sim entre a média dos percentuais dos dois candidatos. Não existe o - (menos) candidato.

Márcio disse...

Mas o que me contraria é que a bobagem matemágica ocorre no mundo inteiro e você me vem com termos injustos como "Eu tinha absoluta certeza que o desenvolvimento científico do Brasil ainda iria assombrar o mundo" e "A Ciência Matemática brasileira conseguiu evoluir ao ponto de criar o todo além do todo"! Extenda sua crítica para a matemática do mundo inteiro, e me dou por satisfeito. Temos muito problemas, mas o complexo de vira-lata, de achar que tudo no Brasil tem de ser pior, não tem cabimento, e certamente você concorda com isso.

Adalberto Braga disse...

O meu pai toda vida me ensinou a ser sempre mais rigoroso com os mais chegados, com os parentes, e mais complacente com os estranhos. Exija mais de você mesmo para poder exigir um pouco dos outros. Se tem algo de que eu me ufano é deste nosso Brasil. Só que não posso dizer "nunca antes me orgulhei tanto deste país". Já me orgulhei muito mais. Pode ter certeza que se fosse um jornalista estrangeiro a apontar esse erro eu me sentiria ofendido do mesmo modo que não gostei daquele maluco ter chamado o Lulla de cachaceiro. Como a fé religiosa, o patriotismo é um sentimento que não tem base na razão. Muito do que parece traição, complexo de vira lata é uma manifestação de inconformismo com a situação de descalabro, neste caso, de decadência intelectual, de degradação do conhecimento.

Márcio disse...

Rapaz, o rigor que você menciona eu nem sempre alcanço, reconheço, mas também busco. Nada mais legítimo que seu direito de se manifestar contra a degradação intelectual e do conhecimento. As escolas públicas estão caindo pelas tabelas, os professores ganhando mal, sem estímulo para encarar o desafio da cátedra. Isso tem solução? Sim, mas não é fácil, e leva tempo. Mas uma das premissas para resolver um problema é considerar várias soluções. Crendo nisso, manifestar-me-ei todas as vezes que você fizer uma crítica que eu achar injusta, naturalmente justificando o caminho diferente que segui.

Todo o raciocínio que você usou no comentário de 01:48 se baseia no cômputo unicamente de votos válidos. Se todos os eleitores votassem necessariamente num dos 2 candidatos, A ou B, teríamos a situação que você descreveu, em que a diferença máxima que uma pesquisa pode aferir entre um e outro é de 50%. Mas acontece que muita gente vota nulo ou em branco, direito legítimo. E há também os que não aparecem para votar, justificando ou não a ausência (devo dizer que sou totalmente contra o sufrágio obrigatório). Ora, se os que votam nulo, em branco ou não votam são pelo menos 20% do total de eleitores, esse número não pode ser ignorado pelas pesquisas!

Se, de 10 mil entrevistados, por exemplo, 5 mil optam pelo candidato A, 3 mil pelo candidato B e 2 mil por nenhum dos candidatos, qual a diferença que deve ser anunciada entre os dois candidatos na pesquisa? Opções:

A) 20% (50% - 30%) (considerando 20% de votos nulos, brancos ou não registrados)

B) 25% (62,5% - 37,5%) (considerando apenas os votos válidos)

C) 12,5% (considerando apenas os votos válidos e seguindo seu raciocínio)


As pesquisas mais completas divulgadas pela imprensa brasileira no segundo turno da eleição presidencial registraram simultaneamente as opções A e B, chamando a atenção para a diferença entre uma e outra. Poderia registrar também a opção C, desde que devidamente explicada.

No entanto, me parece que você considera aceitável somente a opção C, descartando como "criação da Ciência Matemágica brasileira" as opções A e B. E eu me sinto no direito de discrepar, pois todas as opções são corretas, desde que se explique o método utilizado. Continuo procurando, sem sucesso, algum órgão de imprensa de algum país que tenha optado pela opção C. Estarão todos errados?

A Matemática, nem brasileira nem de país algum, não admite mágica. E sua beleza está nisso. Grande abraço!

Adalberto Braga disse...

O último comentário de minha parte.
Votos totais de Dilma: 55.752.483
Votos totais de Serra: 43.711.162
Quantos votos Dilma teve a mais que Serra? 12.041.321
Qual a diferença entre Dilma e Serra?
6.020.660. Veja que sobrou 1 voto porque não existe meio eleitor.
Então temos Dilma - 6.020.660
= 49.731.823
Serra + 6.020.660 = 49.731.822
Para qualquer lado que esse eleitor pender ele decide a eleição, indo para Dilma ela fica com ...824 e Serra com ...821.
Se a eleitora Minerva votar para Serra, ele fica com ...823 e Dilma com ...822. Tento lhe mostrar que a diferença entre os dois candidatos não é dada pela subtração dos votos dos dois, pois caso assim o fosse, a eleitora Minerva valeria por três caso votasse na Dilma; ...823 + 1 = ...824 e ...824 - ...821 = 3; e valeria somente por uma, ao votar no Serra; ...822 + 1 = ...823 e ...823 - ...822 = 1.